Livro Polícias à Portuguesa - Take 2

Livro disponível por apenas 10€ para todos os associados FENPOL.

Polícias à Portuguesa - Take 2

A FENPOL tem o prazer de anúnciar o lançamento do livro, cujo lançamento está marcado para hoje, pelas 18h30, no Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa

Para associados FENPOL, o livro está disponível sob encomenda para o e-mail This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. , pela quantia simbólica de 10 euros.

Eis alguns extractos de depoimentos, em 'Polícias à Portuguesa', que podem partilhar com os V/ colegas ou através de sites e redes sociais. Quero fazer notar, que ao contrário dos anteriores, este livro tem a seguinte dedicatória:

A todos os que foram feridos ou mortos no cumprimento do dever inerente às funções policiais.



"Quando nós estávamos a chegar a 150 metros do cruzamento para o itinerário principal, as nossas viaturas pararam, porque a que ia à frente, dos italianos, viu umas movimentações suspeitas, e o meu sniper começou a relatar "um indivíduo com uma Kalash, um indivíduo com uma PKM" (que é uma metralhadora ligeira). Eu disse: "Calma! Não sabemos o que é, se é polícia se são guerrilheiros. Calma, não dispares!" Ele sempre com a rapaziada na mira e a pedir autorização... E eu a dizer-lhe: "Calma! Não dispares! Pode não ser nada e o facto de disparares pode desencadear um confronto". «Bem, mal eu disse isto, começou tudo aos tiros"

Capitão António Quadrado, GNR/ Operações especiais

"Saímos do carro e fomos ter com o chefe Martins que tinha acabado de estacionar a viatura policial em que chegara, posicionando-a de forma a impedir a passagem dos assaltantes. Como as viaturas não ocupavam a totalidade da estrada, foi deixada apenas uma pequena margem na berma, por onde eles teriam obrigatoriamente de fugir."

Carlos Daniel Tendeiro, presidente da Associação Sócio-Profissional dos Guardas-Nocturnos

"Desde o hospital do Barreiro até às portagens que dão acesso à auto-estrada aquilo foi sempre em tiroteio. Tiro da nossa parte e tiro da parte deles. Tentámos colocar o nosso carro ao lado da carrinha,
porque atrás dela, como estávamos, éramos um alvo fácil."

António Francisco, PSP

"Portanto, gritei: "Polícia. Arma ao chão!" Ele reagiu com um disparo quase instintivo. Passou-se tudo em fracções de segundo, não deu para conversar, não deu para nada."

"A Polícia Judiciária tem uma filosofia mais enraizada na investigação criminal, porque nesse campo a PSP tem um histórico mais curto. A hierarquia, na PSP, é muito mais pesada do que na Polícia Judiciária."

Carlos Castro, Inspector da PJ

"Na Polícia Judiciária bem podemos querer fazer uma investigação como deve ser, que, quando o caso é mediático, não temos a mínima hipótese! Ele são os políticos, os magistrados, os doutores e engenheiros (com cursos tirados sabe-se lá em que universidades), todos a tentarem meter pauzinhos na engrenagem, normalmente de maneira indirecta mas às vezes nem isso, sabe-se lá com que intuito. Às vezes até gente ligada a organizações que já nem são discretas, quanto mais secretas..."

"Pensei em suicidar-me umas quantas vezes porque a pressão era muito grande. Ainda é, por isso essa ideia ainda me passa pela cabeça, mas hoje é mais naquele género de "um destes dias ainda mando estes gajos todos à merda", está a ver o estilo?!"

"Um tipo vai para a política e, ao fim de pouco tempo, já "ganhou dinheiro na bolsa... Vão lá investigar donde vieram as casas e carros dessa gente e talvez tenham uma surpresa... Na perspectiva da investigação, nem era difícil, bastava começar a cruzar certa informação e apanhávamos todos, era uma razia!"

Luís Mourato (nome fictício), inspector da Polícia Judiciária

"Pior, é a forma como a própria estrutura da PSP condiciona o trabalho dos profissionais. No exemplo concreto da Amadora, e isto tem que ser dito com toda a frontalidade, sempre que havia uma operação, o comandante da Amadora dizia: "Cuidado com as armas! Cuidado com a intervenção!" Isto condiciona as pessoas. Em Portugal, e nisto o cidadão também é mal formado, se numa abordagem de fiscalização de trânsito virmos um polícia com a mão no coldre, em cima da arma mesmo sem a empunhar, vai-se achar que aquilo é uma grande ofensa."

Pedro Magrinho, PSP; Presidente da FENPOL

"Mesmo reconhecendo o seu direito a existirem num sistema democrático como o nosso, não têm ajudado a resolver os problemas da Polícia. Tudo o que têm feito é criar ruídos, muitas vezes infundados, influenciados por múltiplos factores (inclusivamente pelos partidos políticos) que não têm nada que ver com a Polícia. Vejam, por exemplo, a maneira como a "máquina" do PCP usa um deles à descarada e depois digam-me se aquilo tem a ver com a PSP... Nem pensar, é impossível e toda a gente o sabe, até os outros sindicatos, mas ninguém faz muito caso."

"Como em tudo, este fenómeno da progressão na carreira tem coisas boas e coisas más. Boas porque mantém as pessoas despertas e pode ajudá-las a melhorarem o desempenho das funções que lhes estão confiadas; más porque os oficiais digladiam-se para chegarem a generais e, às vezes, vale tudo, até deixarem de fazer tudo o que comporte riscos. Riscos que deviam correr enquanto oficiais de polícia mas que não aceitam porque podem ser prejudiciais à carreira e ao tão ambicionado lugar de general."

Armando Moura (nome fictício), Superintendente da PSP e ex-Direcção Nacional

"Tenho levado a vida dentro do possível, o melhor que pode ser. Nunca bem, porque uma pessoa fica transtornada com uma coisa destas. Fica arrasada, a família fica destruída. Completamente. Só que temos que arranjar forças para vencer."

Idália da Silva, viúva do guarda nacional republicano, José Rosa da Silva

"Quando soube da morte do meu irmão, foi como ficar sem chão. Foi o que eu senti. Soube da notícia pela minha irmã. Foi ela que me ligou por volta das seis da manhã, porque nesse ano eu estava no Algarve a trabalhar, e foi ela que me disse: "O João morreu!"

Manuela Melo, irmã do inspector da PJ, João Melo